D — método poético aplicado à deriva filosófico-científica em fusão com a fotografia
D — título reservado — é um sistema literário (e um título) em aparição.
é um terreno poético movediço entre a filosofia, a ciência, a ficção e a fotografia, e um gesto político de escavação dos alicerces e colas ficcionais do antropoceno. e é também uma irrupção poética, na medida em que, antes de surgir enquanto obra integral, origina vários livros-satélite dele extraídos e organizados por eixos, todos com vidas próprias e autonomas entre si.
na sua aparição intermitente, começou a aparecer através de alguns filmepoemas dispersos da órbita; em seguida, apareceu na forma de um fragmento em plaquete, hype mystica poetica, publicada em janeiro de 2026 pela editora estadunidense Sputnik & Fizzle; a próxima materialização acontece no livro arbor inversa, pela editora Laranja Original (São Paulo), o livro da imagem — já no prelo.
o sistema D move-se em três planos simultâneos, que ora se cruzam como tremcomboios em direções opostas, ora se ecoam ou convocam de longe. num plano, derivam em crescendo os ensaios filosófico-poéticos afundando nas origens da vida — biológica, consciencial, poética —, nas vertigens físico-astro-quânticas do tempo, da memória e da percepção, e nos destinos e paradigmas ficcionais da civilização humana; noutro plano, acendem-se cerca de 100 fotografias a tensionar os contornos das palavras e da realidade; num terceiro plano, ficções, que surgem como espelhos, inversões, anti-matéria.
método poético: onde a linguagem não regist(r)a o pensamento, antes o produz e conduz.
ao longo do livro, há uma fricção progressiva entre o cósmico e o urbano, e a arte — posta como dispositivo não de representação mas de contaminação subterrânea da cidade.
e, atravessando-o como estática de fundo, há um fio intimamente humano a pensar a dimensão do encontro — no amor, na amizade, na criação — diante do desmonte coletivo em camadas.
