talvez as estações e os pontos cardeais
sejam um bom começo para nos apresentarmos.

nasço no outono, em Portugal. é madrugada de uma sexta-feira, dia de Venus, que dizem ser do amor. faço-me poeta perante a insuficiência, a aridez, uma certa melancolia, todo o espanto. a madrugada é também o lugar em que costumo renascer.

minhas origens são do Ribatejo — a lezíria — e da Beira Baixa — a serra. meus destinos são onde o olhar possa ser novo. estudo Direito em Lisboa, em meio às noites de fado e flamenco. depois, da península ibérica aventuro-me a leste, vivo tempos em Bucareste, onde mergulho na língua e literatura romenas e na tradução literária. no virar de 2009 para 2010, atravesso o Atlântico rumo ao sul, para viver no Rio de Janeiro, onde me entrego ao estudo e ao ofício do teatro.

e onde me torno, além de portuguesa, brasileira. ou nada disso também. um exílio andarilho seria um melhor carimbo.


criações

tenho dois livros de poesia. o primeiro, outono azul a sul [ed. Urutau, Portugal & Brasil, 2018\2019], é um roteiro poético de 8 anos de exílio — desejado — no Brasil, tendo como protagonistas o ser deslocado, e por isso mais atento e mais disponível para o espanto, o artista traindo o burocrata, o amante que não consegue habitar o amor. é, essencialmente, sobre clandestinidade, sobre estar num lugar de erro — geográfico ou taquicárdico.

o segundo, tesserato [ed. Caos & Letras, Brasil, 2019\2020], foi todo escrito em 2019 e é uma reunião sequencial de tentativas poéticas acerca da suspensão e do deslocamento na imobilidade, da linha reta à curva, do vértice ao desvértice.

tenho dois contos publicados. islandeses, na antologia de contos As escolhas e o destino \ coleção Identidade [vol. II], editada pela Amazon Brasil em 2019, a convite e com organização da VB&M agência literária.

e correnteza, poço e membros, no número 20 da revista lusa Flanzine.

tenho publicado poemas em revistas literárias, como Palavra Comum [Galiza], InComunidade, Tlön, Flanzine, Gazeta de Poesia Inédita, Dilúvio [Portugal], São Paulo Review, Gueto, Mallarmargens, Ruído Manifesto, Plástico Bolha, Literatura & Fechadura, Vício Velho, Totem & Pagu, Kuruma'tá, Mirada, Acrobata, Escrita Droide, Seis Passeios [Brasil], Grafófrafxs [México], e também em jornais como o Jornal Cândido e o Correio Braziliense.

além da poesia,

assino os textos teatrais Hamlet 2012, tradução e adaptação minhas do original em inglês de Shakespeare, e Contando Fados, ambos levados aos palcos cariocas. Me chamam de Karen é a adaptação para teatro que escrevi a partir do romance Karen, de Ana Teresa Pereira, e está inédita ainda.

traduzo do romeno os romances O regresso do hooligan [ed. ASA, Portugal], de Norman Manea, e Lisboa para sempre [ed. Thesaurus, Brasil], de Mihai Zamfir.


/ pelos olhos da poeta Julia Bicalho Mendes
poesia que nos sustenta, RJ, 15:6:19 \

outras cronologias [anotações]

2019:

em abril, o outono azul a sul entra na seleção literária das revistas brasileiras Cult e Quatro Cinco Um.

chego com meus videopoemas ao Hyderabad Literary Festival [Índia].

estou na exposição 'livre mente' da Bienal Internacional de Arte de Gaia [Portugal].

participo da Flipoços, do Eixo Culturas Populares & Mês da Língua Portuguesa do Sesc Palladium, do Festival LivMundi e da Flip \ Embarque na Poesia e Ocupa Beauvoir [Brasil].

fundo o sarau poético-musical poesia que nos sustenta.

ainda em clima de outono azul a sul, depois de criar um solo poético, que apresento em maio em Belo Horizonte, chego, em setembro, a uma temporada de jam poetry sessions, em parceria com músicos convidados, no Rio de Janeiro.


2020:

começo os anos 20 no hemisfério norte, onde participo, entre janeiro e fevereiro, do sarau Rua das Pretas, em Lisboa, dizendo poemas do outono azul a sul.

em fevereiro, retorno ao Rio para lançar tesserato, o segundo livro, quando começa a quarentena mundial e o lançamento é adiado para julho. preparo, então, jam poetry sessions virtuais, já dentro do universo do tesserato, como a performance quarentenada portuguesia com o músico Fábio Nin.

em junho, estreia, no Midrash Centro Cultural, meu programa semanal ao vivo sobre poesia atual: ainda somos muito novos para escrever estes poemas.



/ a experiência literária, para mim, envolve mais sentidos. por isso, acredito que ela não está completa enquanto não juntares ao objeto-livro a escuta da sua trilha sonora, o mergulho nas suas paisagens e vozes e texturas através dos videopoemasdos videos ao vivodo podcast, das fotografias que vou compartilhando como extensão das páginas.
a poesia é muito mais espaçosa do que o poema. o instagram @caliboreaz é um recurso dinâmico que complementa o livro com mais da poesia que gerou os poemas e com a que segue precedendo novas escritas, um seu prelongamento  — encontra-me lá também.
e, se quiseres, provoca-me \


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