talvez as estações e os pontos cardeais
sejam um bom começo para nos apresentarmos.

nasço dia 27, no outono, em Portugal, perto do mar. é madrugada de uma sexta-feira, dia de Venus, que dizem ser do amor. faço-me poeta perante a insuficiência, a aridez, uma certa melancolia, todo o espanto. a madrugada é também o lugar em que costumo renascer. o mar é o tempo em que costumo ser.

minha raiz é uma mistura da lezíria — o Ribatejo — e da serra — a Beira Baixa. meus destinos são onde o olhar possa ser novo. estudo Direito em Lisboa, em meio às noites de fado e flamenco. depois, da península ibérica aventuro-me a leste, vivo tempos em Bucareste, onde mergulho na língua e literatura romenas e na tradução literária. no virar de 2009 para 2010, atravesso o Atlântico rumo ao sul, para viver no Rio de Janeiro, onde me dou ao estudo e ao ofício do teatro.

e onde me torno, além de portuguesa, brasileira. ou nada disso também. um exílio andarilho seria um melhor carimbo.

da ibéria aos cárpatos e à américa do sul, exerço poesia e teatro. no meio disso, danço. fotografo. canto. fundo. sonho morar no méxico.

nome: carolina floare boreaz
poetintimamente: calí boreaz


criações

tenho dois livros de poesia e alguns contos publicados. o primeiro livro, outono azul a sul [ed. Urutau, Portugal & Brasil, 2018\2019], é um roteiro poético dos primeiros oito anos de exílio — desejado — no Brasil, tendo como protagonistas o ser deslocado, e por isso mais atento e mais disponível para o espanto, o artista traindo o burocrata, o amante que não consegue habitar o amor. é, essencialmente, sobre clandestinidade, sobre estar num lugar de erro — geográfico ou taquicárdico.

o segundo, tesserato [ed. Caos & Letras, Brasil, 2020], foi todo escrito em 2019 e é uma sequência de tentativas poéticas acerca da suspensão e do deslocamento na imobilidade, da linha reta à curva, do vértice ao desvértice.

tenho três contos publicados: a fazedora de luas, na antologia de contos para crianças Conto em Casa [ed. Raiz, Brasil, 2020].

islandeses, na antologia de contos As escolhas e o destino \ coleção Identidade [vol. II], editada pela Amazon Brasil em 2019, a convite e com organização da VB&M agência literária.

e correnteza, poço e membros, no número 20 da revista lusa Flanzine.

tenho publicado poemas em revistas literárias de Portugal, Galiza, Cabo-Verde, Brasil, México.

além da poesia,

assino os textos teatrais Hamlet 2012, tradução e adaptação minhas do original em inglês de Shakespeare, e Contando Fadosambos encenados por mim nos palcos cariocas. (o primeiro recebe indicação de Melhor Espetáculo no Festival de Teatro do Rio de Janeiro 2012.) Me chamam de Karen é a adaptação para teatro que escrevi a partir do romance Karen, de Ana Teresa Pereira, e está inédita ainda.

traduzo do romeno os romances O regresso do hooligan [ed. ASA, Portugal, 2010], de Norman Manea, e Lisboa para sempre [ed. Thesaurus, Brasil, 2012], de Mihai Zamfir.


/ pelos olhos da poeta Julia Bicalho Mendes
poesia que nos sustenta, RJ, 15:6:19 \

outras cronologias [anotações]

2019:

em abril, o outono azul a sul entra na seleção literária das revistas brasileiras Cult e Quatro Cinco Um.

meus videopoemas são expostos no Hyderabad Literary Festival, na Índia.

participo da exposição 'livre mente' da Bienal Internacional de Arte de Gaia, em Portugal.

participo da Flipoços, do Eixo Culturas Populares & Mês da Língua Portuguesa do Sesc Palladium, do Festival LivMundi e da Flip \ Embarque na Poesia e Ocupa Beauvoir, todos no Brasil.

crio o sarau poético-musical poesia que nos sustenta.

ainda em clima de outono azul a sul, depois de criar um solo poético, que apresento em maio em Belo Horizonte, entro, em setembro, numa temporada de jam poetry sessions, em parceria com músicos convidados, no Rio de Janeiro.


2020:

começo os anos 20 no hemisfério norte, onde participo, entre janeiro e fevereiro, do sarau Rua das Pretas, em Lisboa, dizendo poemas do outono azul a sul.

em fevereiro, retorno ao Rio para lançar tesserato, o segundo livro, quando começa a quarentena mundial e o lançamento é adiado para julho. preparo, então, jam poetry sessions virtuais, já dentro do universo do tesserato, como a performance quarentenada portuguesia com o músico Fábio Nin.

em junho, estreia, no Midrash Centro Cultural, meu programa semanal ao vivo sobre poesia atual: ainda somos muito novos para escrever estes poemas.

em novembro, participo do Festival Literário do SESC 2020, como autora convidada e como roteirista, intérprete e produtora-caseira de três filmes-cartas de Clarice Lispector, a homenageada do evento.


/ a experiência literária, para mim, envolve mais sentidos. por isso, acredito que ela não está completa enquanto não juntares ao objeto-livro a escuta da sua trilha sonora, o mergulho nas suas paisagens e vozes e texturas através dos videopoemasdos videos ao vivodo podcast, das fotografias que vou compartilhando como extensão das páginas.
a poesia é muito mais espaçosa do que o poema. o instagram @caliboreaz é um recurso dinâmico que complementa o livro com mais da poesia que gerou os poemas e com a que segue precedendo novas escritas, um seu prelongamento  — encontra-me lá também.
e, se quiseres, provoca-me \


off-poesia [se isso existe]

em 2012 recebi o Prêmio de Melhor Atriz do Festival de Teatro do Rio de Janeiro, pelo papel de Hamlet na peça Hamlet 2012. em 2015 recebi duas indicações de Melhor Atriz, uma no mesmo festival, pelo papel de Quenga na peça Quenga! Quenga! Quenga! do dramaturgo-poeta baiano Segundo Torres, e outra no Festival Internacional de Cinema de Madrid, pelo papel de Laura no filme A Dívida de Sílvia Carvalho.

em 2017, depois de me ver em cena no meu espetáculo Contando Fados, a poeta Joana Hime convidou-me para participar da gravação da faixa-título do disco com poemas do seu livro Entreventos musicados por Francis Hime, um lançamento da Biscoito Fino em 2020. o videoclipe com Joana e eu cantando Entreventos está aqui.


conversas





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