[talvez as estações e os pontos cardeais sejam um bom começo para nos apresentarmos]

nasço no outono, em Portugal. é madrugada de uma sexta-feira, dia de Venus, que dizem ser do amor. faço-me poeta perante a insuficiência, a aridez, uma certa melancolia, todo o espanto. a madrugada é também o lugar em que costumo renascer.

minhas origens são do Ribajeto — a lezíria — e da Beira Baixa — a serra. meus destinos são onde o olhar possa ser novo. estudo Direito em Lisboa em meio às noites de fado e flamenco. depois, da península ibérica aventuro-me a leste, vivo tempos em Bucareste, onde mergulho na língua e literatura romena e na tradução literária. no virar de 2009 para 2010, atravesso o Atlântico rumo ao sul, para viver no Rio de Janeiro, onde me entrego ao estudo e ao ofício do teatro, e onde me torno, além de portuguesa, brasileira. ou nada disso também. um exílio andarilho seria um melhor carimbo.

meu eixo é diluir determinismos e fronteiras num atlântico comum: exercer a língua portuguesa — e com ela a arte, a política, os afetos, a vida — tanto na lusitanidade quanto na brasilidade. e por isso não coloquei acento em Venus lá em cima, para que ela incluísse tanto Vénus quando Vênus. um exemplo. quando escrevo, às vezes estou na voz lusa, outras na voz brasileira. quando falo também. quando respiro também.

componho os textos teatrais Hamlet 2012, tradução e adaptação minhas do original em inglês de Shakespeare, e Contando Fados, ambos levados aos palcos cariocas. Me chamam de Karen é a adaptação para teatro que escrevi a partir do romance Karen, de Ana Teresa Pereira, e está em fase de arranque.

na literatura, traduzo do romeno os romances O regresso do hooligan [ed. ASA, Portugal], de Norman Manea, e Lisboa para sempre [ed. Thesaurus, Brasil], de Mihai Zamfir.

lanço um livro de poesia chamado outono azul a sul [ed. Urutau, Portugal & Brasil, dez. 2018], um roteiro poético de 8 anos de exílio — desejado — no Brasil, tendo como protagonistas o ser deslocado, e por isso mais atento, e mais disponível para o espanto, o artista traindo o burocrata, o amante que não consegue habitar o amor. é, essencialmente, sobre clandestinidade, sobre estar num lugar de erro — geográfico ou taquicárdico.


/ pelos olhos da poeta Julia Bicalho Mendes
poesia que nos sustenta, RJ, 15:6:19 \

2019:

em abril, o outono azul a sul entra na seleção literária das revistas brasileiras Cult e Quatro Cinco Um.

em julho, lanço islandeses, na antologia de contos As escolhas e o destino \ coleção Identidade [vol. II], pela Amazon Brasil, a convite e com organização da VB&M agência literária.

textos meus aparecem também em revistas literárias como Palavra Comum [Galiza], InComunidade, Tlön, Flanzine, Gazeta de Poesia Inédita [Portugal], São Paulo Review, Gueto, Mallarmargens, Ruído Manifesto, Plástico Bolha, Literatura & Fechadura, Vício Velho, Totem & Pagu [Brasil], e também em jornais como o Correio Braziliense.

chego com meus videopoemas ao Hyderabad Literary Festival [Índia]; estou na exposição 'livre mente' da Bienal Internacional de Arte de Gaia [Portugal]; e participo da Flipoços, do Eixo Culturas Populares & Mês da Língua Portuguesa do Sesc Palladium, do Festival LivMundi e da Flip \ Embarque na Poesia e Ocupa Beauvoir [Brasil].

fundo o sarau poético-musical poesia que nos sustenta.

em setembro, faço uma temporada de jam poetry sessions do outono azul a sul em parceria com músicos convidados, no Rio de Janeiro.


/ a experiência literária, para mim, envolve mais sentidos. por isso, acredito que ela não está completa enquanto não juntares ao objeto-livro a escuta da sua trilha sonora, o mergulho nas suas paisagens e vozes e texturas através dos videopoemas, do podcast, das fotografias que vou compartilhando como extensão das páginas.
a poesia é muito mais espaçosa do que o poema. o instagram @caliboreaz é um recurso dinâmico que complementa o livro com mais da poesia que gerou os poemas e com a que segue precedendo novas escritas — encontra-me lá também \




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